Biografia Humana, Aline Kimura
A biografia é a história de vida construída por cada um
de nós. Dentro da Antroposofia, o estudo de uma
biografia é feito por meio de um trabalho biográfico –
individual ou em grupo – em que são identificados
elementos semelhantes na vida de todo ser humano em
determinada fase e também são descobertos os elementos
individuais ligados ao destino de cada um (EU).
Para o estudo biográfico, a Antroposofia divide a
vida em setênios – períodos de sete anos – observando o
desenvolvimento de três aspectos interligados: físico
(biológico), anímico (psíquico) e espiritual (EU). São eles:
Primeiro setênio (até os 7 anos) –
Reestruturação do Corpo Físico: a criança desenvolve o
andar, o falar e o pensar. Ocorrem passos que serão
necessários para o desenvolvimento posterior. Tudo o
que a criança aprende é por meio da imitação. Nessa
fase, a criança necessita de alimentação e sono
adequados e ritmo. Além de calor, confiança e amor. São
muito comuns as doenças infantis nessa fase; elas
aceleram o processo de eliminação da proteína materna,
propiciando o renascimento de um novo corpo com a
individualidade da criança. Por fim, ocorre a queda dos
dentes de leite indicando que a criança já está apta
para a alfabetização, podendo utilizar suas forças para
o pensar imaginativo e para a memória.
Segundo setênio (dos 7 aos 14 anos) – Base
para o amadurecimento psicológico: ocorre o
desenvolvimento intenso da cabeça, do tórax (coração
e pulmão) e alongamento dos membros. É uma fase de
interiorização e também de troca com o ambiente (social),
mas a criança necessita de um adulto (autoridade amada)
para fazer essa ligação com o ambiente. A devoção e
veneração são atitudes a serem cultivadas. A Arte e a
Religião auxiliam no desenvolvimento dos sentimentos.
Nessa fase, são fundamentados os hábitos e costumes que
permanecerão na vida do individuo por muitos anos.
Terceiro Setênio (dos 14 aos 21 anos) – Fase
do Amadurecimento Social. Ocorrem mudanças corporais,
a passagem por um período de religiosidade, a
preocupação com a futura profissão e um processo de
diferenciação sexual. Há um conflito entre a imagem
arquetípica ideal de ser humano (que o jovem busca em
si mesmo ou nos outros – ídolos) e a imagem e os valores
dados, até então, pelos pais, fazendo com que o jovem
apresente crítica e revolta. Ele tem, agora, um pensar
lógico, e seu aprendizado é feito por meio daquele que
é verdadeiro. É interessante a vivência da filosofia, dos
ideais e da responsabilidade.
Quarto Setênio (dos 21 aos 28 anos) – Fase
da Alma Emotiva. O jovem torna-se independente, mas
se sente inseguro com isso, apresentando altos e baixos
emocionais. É uma fase de
conquistas (posição na vida,
trabalho, parceiro, formação de
família, etc) e experimentação em
nível anímico.
Quinto Setênio (dos 28
aos 35 anos) – Fase da Alma
Racional. O indivíduo já possui muitas
experiências e mostra segurança. É
convidado a participar mais do meio social.
Nessa fase há muita criatividade e ação. Há uma
grande rentabilidade no trabalho, sendo caracterizado
pela responsabilidade e seriedade. É importante
desenvolver um espaço para as opiniões do outro. Os
homens precisam desenvolver seu lado feminino, do afeto
e sentimento – a força do sentir – e as mulheres devem
buscar o desenvolvimento do seu lado masculino, da
virilidade e racionalidade – a força do agir.
Sexto Setênio (dos 35 aos 42 anos) – Fase
da Alma da Consciência. A manifestação do desgaste
físico começa a aparecer e o rendimento no trabalho
já não é tão expressivo. Há uma aceitação de si mesmo
e também do outro, quando o indivíduo já está maduro
psiquicamente. Os perigos nessa fase são provocados
por uma possível rotina, ocasionando fugas, ou a
tentativa de manter o mesmo desempenho profissional,
trabalhando além do que o corpo físico é capaz de
agüentar ou competindo com os mais jovens.
Aline Kimura
Mãe do Alecrim Dourado e aluna do Grupo de Estudos do Ensino Fundamental
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