|
Limites: ou até onde podemos ir, Telma Volpato
Ao pararmos e refletirmos sobre o processo de educação,
percebemos que este passou por momentos de extrema rigidez,
proibições autoritárias e ausência de um propósito claro, que
não fosse a mera imposição das “vontades” do adulto sobre a
criança.
Em contrapartida a esse modelo, instalou-se na relação
entre o adulto e a criança total liberdade para que ela fizesse
prevalecer todas as suas “vontades”. O não foi desvalorizado e até
mesmo abolido pelos adultos que, por terem sofrido uma educação
autoritária, não queriam repetir esse modelo com suas crianças.
Se no primeiro modelo criou-se uma geração de adultos
“revoltados”, no segundo criou-se uma geração de adultos
apáticos, indiferentes aos problemas de sua realidade, muitos
deles chegando à insatisfação, uma vez que quem tem tudo o que
quer, valoriza somente aquilo que não tem.
O que está faltando na educação de nossas crianças?
Hoje, as crianças precisam freqüentar a escola cada vez mais
cedo, pois por questões financeiras a até mesmo a conquista da
realização profissional, pais e mães precisam se ausentar de casa
para trabalhar.
A escola, por sua vez, também mudou o seu papel,
não sendo apenas o local no qual as crianças podem receber
informações, mas uma instituição que passou a compartilhar com
a família a responsabilidade pela educação das crianças.
Se antes o papel de ambas era bem definido (a educação formal
cabia à escola e a informal aos pais), isto hoje mudou. Os pais
adquiriram mais conhecimentos sobre as propostas pedagógicas
das escolas, tornando-se mais questionadores e nem sempre
acatando as colocações feitas pela escola. Essa participação dos
pais é importante e saudável, mas não deve gerar o
enfraquecimento da autoridade do educador.
A família deve ter claro que seu papel na educação da criança continua sendo a construção de valores, como
também a construção da idéia de limite, sendo que esta última jamais deve ser delegada à escola.
A falta de limites dos adultos pode ser claramente observada nas relações entre aqueles que não respeitam os
horários, invadem o espaço do próximo, não respeitam regras e não conseguem ouvir o outro.
Isto se torna um
péssimo modelo para as crianças, que acabam imitando-os e testando cada vez mais até onde podem chegar.
É papel do adulto estabelecer limites à criança desde seu nascimento. O bebê necessita de um ritmo. É através
deste ritmo que se estabelece o limite, proporcionando ao bebê total segurança.
A partir daí, cada faixa etária
pede uma postura na conduta do adulto, para que se coloque o limite sem cair no autoritarismo.
Para que isso aconteça, assim como buscamos uma formação profissional, precisamos buscar nosso
autoconhecimento e buscar compreender a fase de desenvolvimento da criança.
Assim, conseguiremos suprir essa
necessidade e amenizar as angústias diante da educação das crianças.
A família deve ter a escola como base de apoio para que o trabalho de ambas seja coeso e para que uma não
invalide ou desautorize a outra. Afinal, a tarefa de escolher a escola de um filho cabe aos seus pais.
Os pais precisam estar atentos para não compensar sua ausência ou o pouco tempo que podem dedicar aos
filhos de modo a deixá-los fazer o que quiserem. Dar limites é um grande gesto de carinho e uma prova de amor
para com seu filho, que vai se sentir seguro e protegido.
Construir limites para as crianças é dar ferramentas para que elas, na adolescência, possam colocar os valores
em cheque e testá-los de forma saudável, gerando seu próprio amadurecimento, e não fazê-lo a partir de sua
autodestruição. O processo educativo só vai se efetivar se houver cumplicidade e comprometimento de ambas as
partes.
Telma Volpato
Professora do Jardim II do Alecrim Dourado
|