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Depende de nós...

A infância, inegavelmente, é a melhor fase de nossa vida. Entretanto, infelizmente, nos dias atuais, a infância encontra-se ameaçada.

A infância é o período da vida em que se constrói a base da personalidade do homem, em que se edificam os princípios morais e éticos, em que se estabelecem os valores humanos.

Para que a criança cresça e se desenvolva harmoniosamente, com equilíbrio e saúde, ela precisa de segurança e bem estar. Ela precisa, sobretudo, confiar no mundo a sua volta, para entregar-se a ele. O sentimento de que "o mundo é bom" faz com que ela se vincule afetivamente e se relacione com interesse com o mundo que a rodeia. Assim ela o apreende e aprende, através das experiências.

Porém, nós educadores, temos que nos questionar, sempre, sobre a qualidade dessas experiências, já que é, através delas as crianças crescem e se desenvolvem . Quando nos comprometemos a educar uma criança temos que nos questionar se estamos, realmente, oferecendo-lhe condições para que ela viva sua infância na sua plenitude, atendendo as suas necessidades reais, e não atendendo as necessidades de uma sociedade que acelera cada vez mais os processos de "desenvolvimento". É nosso dever preservar essa fase da vida do ser humano, protegendo a criança pequena de todas as influências negativas ao seu desenvolvimento.

A infância pede ajuda! Pede ajuda para que não se queimem etapas fundamentais do desenvolvimento infantil e acelerando processos fundamentais para sua existência. A atenção dos educadores deve estar na escolha de ambientes e atividades salutares: excesso de estímulos e racionalização, diferente do que se possa imaginar, não conduz a um desenvolvimento saudável. Já a fantasia adequada, alimenta a alma infantil e povoa de belas imagens o mundo interno da criança. A atividade motora, natural na criança, ajuda no desenvolvimento da vontade, sempre associada a um significado. A agitação do dia-a dia do mundo adulto é um péssimo modelo à criança, que necessita de tempo e paciência para crescer. O culto do movimento pelo movimento, que leva a uma hiperatividade desinforma (não dá forma), portanto, não ajuda na formação da criança.

Ritmo e repetição ajudam no fortalecimento da vitalidade, característica dessa fase humana. Criança pequena, ao contrário do adulto, precisa de rotina.

Preservar a infância não é tarefa difícil. É preciso um olhar verdadeiramente interessado e compromissado para com o desenvolvimento desses pequeninos seres de quem depende o futuro da humanidade.

Texto publicado na Revista Homeopatia, edição de 2007

Sônia Ruella
Fonoaudióloga e coordenadora de Ed. Infantil
do Centro Educacional Waldorf Alecrim Dourado